Um dos requisitos para o paciente conseguir se ver livre de um traqueóstomo – ou seja, ser decanulado – é: ele precisa ter patência de via aérea. Mas o que é isso?
Então, continue lendo para descobrir!
O que é a patência de via aérea?
Patência de via aérea diz respeito a passagem livre e desobstruída do fluxo de ar dos pulmões até a boca e o nariz.
No paciente traqueostomizado, avaliamos a patência ocluindo com nossos dedos a cânula de traqueostomia. Nesta condição, o paciente, com boa patência, deve ser capaz de tolerar a oclusão sem sinais de desconforto.
No momento do teste de oclusão, utilizamos também um estetoscópio, o qual nos possibilitará ouvir o fluxo de ar tanto na inspiração quanto na expiração. Então, em caso de não conseguirmos ouvir este ar “entrando e saindo”, devemos pensar que este paciente pode ter comprometimento da patência de via aérea.
Uma causa do comprometimento de patência
Uma dentre as várias causas do comprometimento de patência de via aérea é quando nós temos um traqueóstomo grande para o tamanho daquela traqueia.
Clinicamente podemos fazer suposições do que pode estar comprometendo a patência, e vale ressaltar que o calibre grande da cânula de traqueostomia é apenas uma das possíveis causas deste achado.
Traqueóstomo grande para a traqueia causa comprometimento de patência
Assim, quando a cânula de traqueostomia ocupa mais de 2/3 da traqueia podemos estar diante de um comprometimento de patência por traqueóstomo grande, e isso acontece rotineiramente.
Nesta situação podemos sugerir a redução do calibre da traqueostomia e então confirmar ou não nossa hipótese. Pra ficar claro, eu faço ainda uma analogia com a caneta BIC, para que vocês possam acompanhar melhor o raciocínio.
Comparo a uma caneta BIC como exemplo – Motility Oral.
→ Saiba mais sobre Fono Hospitalar com estes artigos:
Mas como seria essa analogia? Vamos imaginar que a carcaça da caneta – ou seja, onde nós pegamos – seja a nossa traqueia. E que o refil da caneta é o nosso traqueóstomo – a cânula de traqueostomia.
A carcaça é a traqueia e, o refil, o traqueóstomo – Motility Oral.
Quando temos um refil – ou seja, um traqueóstomo – grande para o tamanho desta traqueia, concordam que ao ocluirmos, o ar não tem como passar entre o refil e a carcaça? Ou, dito de outro modo, entre o traqueóstomo e a parede da traqueia?
O ar não passa, ele não tem como fluir, ou seja: não tem como entrar e sair.
ao ocluir o traqueóstomo grande para a traqueia, o ar não passa – Motility Oral.
→ Saiba mais sobre Fono Hospitalar com estes artigos:
Muitas vezes, escutamos o ar entrar, mas, na hora que ele vai sair, você não escuta. Isso se trata do aprisionamento, e a consequência disso pode ser um barotrauma, onde o ar entra, entra, entra mas não sai.
Esse é um dado muito importante, é uma informação de extrema relevância que nos faz interromper imediatamente o teste de patência.
Então veja, este exemplo que eu dei pra vocês é uma forma didática. Se vocês raciocinarem que não tem espaço suficiente entre o refil – que é o traqueóstomo – e a carcaça – que é a traqueia –, consequentemente este ar vai entrar e não vai sair.
Por que o ar entra e não consegue sair?
E por que o ar entra e não consegue sair? Porque a musculatura inspiratória é ativa.
Então, consequentemente, ela tem “força” para puxar o ar, mesmo havendo a redução do espaço entre o traqueóstomo e a parede da traqueia.
Entretanto, para o ar sair, a musculatura expiratória é totalmente passiva – ao menos que exerça força expiratória, trabalhando os intercostais internos e abdominais –, e não consegue, assim, ultrapassar a barreira.
Reduzir o diâmetro do traqueóstomo para melhorar a patência de via aérea
Então, vocês conseguiram entender que quando eu digo que precisa reduzir o diâmetro do traqueóstomo, eu estou querendo dizer o seguinte: precisamos aumentar o espaço entre o refil e a carcaça.
Ou seja: precisamos ter ganho de espaço entre o traqueóstomo e a parede da traqueia, para que este ar consiga entrar e sair de uma forma que o paciente não entre em esforço respiratório e não dessature, não aumente a frequência cardíaca e, consequentemente, não cause um barotrauma.
O teste da patência é apenas um dos seis preditivos
Para finalizar: lembrem-se que o teste da patência é apenas um dos seis preditivos que nós precisamos avaliar para ver se este paciente traqueostomizado é elegível ao protocolo decanulação.
Conheça a técnica de Spiral Taping, ou Esparadrapoterapia, lendo este artigo.
Afinal, esparadrapo?? Pois sim! Além disso, existe mais acessível? Não!!
Por isso, eu, Camila, uso muito para dor. Mas o meu colega e parceiro, Alan Senigalia, usa para uma infinidade de outras funções. Então, leia até o fim para saber tudo sobre esta técnica maravilhosa.
O que é Spiral Taping (ou Esparadrapoterapia)?
Spiral Taping é o mesmo que Esparadrapoterapia. Também conhecida, então, como acupuntura com fitas, esta técnica utiliza tiras de esparadrapo com larguras específicas sobre áreas afetadas, como objetivos anti-inflamatório, analgésico, de sinergismo muscular e equilíbrio energético.
A história deste tratamento
O Spiral Taping foi descoberto há mais de 20 anos pelo acupunturista Nobutaka Tanaka, no Japão. Após se graduar na universidade e inaugurar sua clínica de recuperação, Nobutaka notou que atletas com lesões musculares, depois de já tratados ou não, apresentavam uma melhora dos sintomas de dor de acordo com a direção que era dada ao enfaixamento da região atingida.
Por que eu sou adepta a esta técnica?
Eu, Camila, gosto muito de usar este tratamento porque apresenta baixo custo, facilidade na aplicação, rápido resultado – se não imediato – e é de fácil acesso.
Quais são as vantagens do Spiral Taping?
As vantagens, em relação à outras terapias, são, portanto, as seguintes:
Efeito rápido ou imediato
A dor é aliviada em 90% dos casos
Funciona sem precisar afastar o paciente do seu posto de trabalho
A terapia é indolor
Não se utiliza medicamentos
A possibilidade de efeitos colaterais é pequena
É rápido – tanto no tempo das sessões quanto no número delas
Além disso, apresenta baixo custo
Em qual situação uso a técnica de Spiral Taping?
Utilizamos a técnica do Spiral Taping para o alívio da dor, tanto de ordem articular quanto muscular, porque é incrível: é imediato!
Além disso, vale também acrescentar que, como estimula pontos da acupuntura, é possível produzir efeitos positivos em tratamentos emocionais.
Indicações para a Esparadrapoterapia
Aqui estão, portanto, alguns exemplos para os quais você pode usar o Spiral Taping para o tratamento:
Edemas (inchaços);
Esporão de calcâneo;
Gota;
Bursites;
Tendinistes;
Joanetes;
Fascite plantar;
Lombalgia;
Entorses (tornozelo, joelho)
Cólica menstrual;
Insônia;
Angústia;
Dores articulares musculares;
DORT (Distúrbio Osteomuscular Relacionado ao Trabalho);
Além disso, muitos outros exemplos.
Existe uma direção correta para a aplicação?
A direção mais eficiente para a aplicação da técnica é da extremidade para o centro, direcionada para a esquerda. Isso porque 95% das pessoas apresentam a espiral predominante ascendendo da direita para a esquerda. Entretanto, tal especificidade exige avaliação individualizada.
Em qual local deve ser aplicada a técnica de Spiral Taping?
Esta técnica é ótima porque podemos mesclar tanto os pontos acupunturais – o que é uma ótima alternativa para quem tem medo de agulha – quanto os triggers points. Assim, veja a imagem abaixo:
A aplicação da técnica deve ocorrer 2 vezes por semana, devendo permanecer, então, por até três dias. Mas se as fitas permanecerem por mais tempo que o indicado, pode não fazer efeito e até mesmo gerar mais problemas.
Onde posso aprender mais sobre isso?
Você quer saber ainda mais detalhes sobre o Spiral Taping? Então leia até o fim.
No meu curso inédito sobre Dispositivos Sensoriais que eu lancei com meu parceiro e colega Alan Senigalia, você pode aprender mais sobre a aplicação de Spiral Taping e ainda mais: Appong, Stiper e Dynamic Tape – além de uma infinidade de conteúdos detalhados que irão mudar a sua vida profissional para sempre. Ele será lançado novamente em breve, aguarde.
PEREIRA, Camila. SPIRAL TAPING e o meu SER FONO HOSPITALAR. Campo Grande – MS. 2 de fevereiro de 2022. Instagram. Motility Oral. Disponível em: <https://www.instagram.com/p/CZfFS4npcQ7/>. Acesso em: 28, fevereiro 2022.
TORRES, A. de S. SPIRAL TAPING. Nova fisio. Disponível em: <https://www.novafisio.com.br/spiral-taping/>. Acesso em: 28, fevereiro 2022.
AFINAL, o que são Trigger Points ou Pontos-Gatilho?. Ebramec, 2017. Disponível em: < https://ebramec.edu.br/trigger-points/>. Acesso em: 28, fevereiro 2022.
Você sabia que existe uma prevalência de AVC na artéria cerebral média em detrimento de outros locais do cérebro?
Você quer saber por que isso acontece? Afinal, qual a importância de saber sobre isso para o profissional da saúde?
Então, vamos lá!
O que é um AVC?
Um AVC (Acidente Vascular Cerebral) pode ser dito como um dano no cérebro devido a interrupção da passagem de sangue por conta de um coágulo (AVC isquêmico, ou AVCi), ou o rompimento de uma artéria (AVC hemorrágico, ou AVCh).
Prevalência de AVC na artéria cerebral média
De acordo com este artigo, a prevalência de AVCi, AVCh e AVC mistos (tanto isquêmicos quanto hemorrágicos) na artéria cerebral média (ACM) é, geralmente, maior do que na artéria cerebral anterior (ACA). Por exemplo, existe uma ocorrência de 4 acidentes vasculares cerebrais mistos na ACM para 1 na ACA.
Veja abaixo, então, a prevalência de localização para AVCi, imagem tirada do mesmo artigo citado.
Prevalência da localização da artéria cerebral média em detrimento de outras para um AVCi
A importância de entender a irrigação cerebral
Para compreender por que existe uma prevalência de AVC na artéria cerebral média, é necessário dizer que, embora saibamos que não existe “caixinha” específica no nosso cérebro para cada expressão da linguagem, é importante dominarmos a IRRIGAÇÃO CEREBRAL e sua correlação com a FISIOPATOLOGIA do AVC.
Isso porque, dependendo da artéria isquemiada (AVCi) ou rompida (AVCh), pode afetar tanto estruturas corticais mas, sobretudo, subcorticais, que são consideradas nobres para a linguagem.
Então, como funciona a irrigação cerebral?
Resumidamente, o encéfalo é irrigado pelas artérias carótidas internas (sistema carotídeo / irrigação anterior – composto pelas artérias cerebral anterior e artéria cerebral média) e pelas artérias vertebrais (sistema vértebro-basilar / irrigação posterior). Desse modo, essa irrigação é muito bem elucidada pelo Polígono de Willis, de onde saem as principais artérias para a vascularização cerebral, que vislumbramos na foto adiante:
Por que, então, tem maior incidência de AVC na artéria cerebral média?
Assim, se observarmos detalhadamente esse polígono supracitado, fica evidente quando o neurologista da minha equipe, o dr. (nome do dr.), me explicou:
“É muito mais fácil um trombo ir para onde tem mais fluxo sanguíneo do que ele fazer curva e ir para onde o fluxo é menor”.
Veja que, portanto, o entendimento desta colocação depende muito do conhecimento acerca das anastomoses de irrigação encefálica.
O ramo da ARTÉRIA CEREBRAL MÉDIA (ACM) é mais calibroso do que da artéria cerebral anterior (ACA) e ele sai numa angulação mais reta, então para um trombo obstruir a ACA tem que fazer curva para chegar até lá, por isso que é mais comum AVC na artéria cerebral média.
Por que saber sobre isso é importante para o profissional da saúde?
Só que muito além disso, precisamos entender qual ramo da artéria cerebral média que foi comprometido, e se este ramo de irrigação prejudicou áreas nobres da linguagem e qual foi a extensão dessa lesão.
Por que isso é importante? Para sabermos propor ajustes na terapia da linguagem de um modo que o déficit seja compensado com outra função linguística.
Gostou da curiosidade? Então deixe um comentário! Porque estaremos lendo e respondendo todos.
Sabemos que a reabilitação convencional voltada aos pacientes com disfagia pós AVC promove a recuperação da função da deglutição, melhorando a amplitude da elevação do complexo hiolaríngeo, além de aumentar a entrada sensorial periférica para o sistema nervoso central.
Assim, dentre tais estratégias de reabilitação, podemos citar a estimulação elétrica neuromuscular (EENM), os exercícios de força muscular expiratórios (EMST), a estimulação tátil térmica gustativa, exercícios miofuncionais de língua e lábios, etc.
Mas você sabia que, nos últimos anos, técnicas de estimulação cerebral não invasivas, como a estimulação transcraniana por corrente contínua – ou “transcranial direct-current stimulation” (TDCS), em inglês –, combinada com a reabilitação convencional, pode melhorar a função da deglutição, o estado nutricional dos pacientes com disfagia e, assim, reduzir quadros de infecção?
Portanto, leia este artigo até o fim para saber mais sobre isso. Então vamos lá!
O que é um AVC?
Como já vimos neste post (clique aqui para ler), um AVC (Acidente Vascular Cerebral) pode ser dito como um dano no cérebro devido a interrupção da passagem de sangue por conta de um coágulo ou o rompimento de uma artéria. Assim, segundo este artigo, o AVC é a principal causa de incapacidade no Brasil, com uma incidência anual de 108 para cada 100 mil habitantes.
A relação entre a disfagia pós AVC e a desnutrição
Ao ler este artigo, descobre-se que a disfagia pós AVC é frequente e associa-se a deterioração do estado nutricional. De acordo com este outro artigo, “a deglutição é um processo neuromotor complexo, que requer interação e coordenação adequada de mecanismos motores e sensoriais . Dessa forma, as alterações na biomecânica da deglutição estão relacionadas à mortalidade a longo prazo, e ao desenvolvimento de graves complicações pós AVC, tais como desnutrição, desidratação e problemas pulmonares, como a pneumonia aspirativa.”
Fatores associados e o prejuízo à qualidade de vida dos pacientes
De acordo com o segundo artigo já citado: “Os fatores associados à disfagia orofaríngea pós AVC são múltiplos, a literatura refere a disartria, idade maior que 70 anos, local e extensão da lesão neurológica, diabetes mellitus, má conservação dentária, paralisia facial como possíveis fatores de risco. Todavia, os fatores relacionando a disfagia ao AVC não estão claramente definidos, havendo escassez de estudos brasileiros sobre tal aspecto. Dessa maneira, o indivíduo com disfagia pode desenvolver déficits nutricionais e respiratórios, junto ao prejuízo da função sociocultural mais básica, a habilidade de se alimentar. Portanto, tal limitação cotidiana desperta, em muitos casos, sentimento de frustração e desânimo, impactando de forma variável a qualidade de vida dos pacientes.”
Porque a disfagia pós AVC altera a qualidade de vida dos pacientes – causando inclusive prejuízos nutricionais, como já vimos –, saber os tratamentos mais eficazes se faz necessário para o profissional da saúde, seja você fonoaudiólogo, fisioterapeuta, enfermeiro, nutricionista, dentre outros. Portanto, continue lendo para saber a nova pesquisa para o distúrbio de deglutição, ou disfagia, por TDCS.
A pesquisa do novo tratamento de disfagia pós AVC utilizando TDCS
Para este post, usamos como base principal o artigo “Clinical study on swalloging function of brainstem stroke by TDCS”, ou “Estudo clínico sobre a função da deglutição no AVC de tronco encefálico por TDCS”, em português. Este artigo:
Estudo clínico sobre a função da deglutição de disfagia pós AVC por TDCS: Artigo da pesquisa original com o novo tratamento
Objetivo: Investigar o efeito da estimulação transcraniana por corrente contínua (TDCS), combinada com a reabilitação abrangente convencional da disfagia pós AVC.
Materiais e métodos: Quarenta pacientes com AVC de tronco cerebral foram aleatoriamente divididos em dois grupos com 20 indivíduos cada: um que recebeu apenas terapia convencional de deglutição (GACT) e outro que associou a estimulação transcraniana por corrente contínua (TDCS) a terapia da função de deglutir. Dessa forma, a escala de desfecho e gravidade da disfagia (DOSS) e a escala de disfagia funcional (FDS) foram avaliadas respectivamente antes e depois de 8 semanas de tratamento contínuo com o estudo da videofluoroscopia da deglutição (VFSS) – siglas em inglês. Além disso, marcadores como o glóbulo branco (WBC), a proteína C reativa (PCR), a pré-albumina (PAB), a albumina (Alb) e a hemoglobina (Hb) foram também comparados entre os dois grupos antes e depois de 8 semanas de tratamento contínuo.
Características do distúrbio de deglutição faríngea
As principais características do distúrbio de deglutição observadas correspondem a alterações de fase faríngea: trânsito faríngeo aumentado, resíduos alimentares na epiglote e seios piriformes, elevação anormal da laringe, alteração na abertura de cricofaringeo. Assim, a disfagia aumentará a incidência de complicações tais como desidratação, desnutrição, aspiração e pneumonia, o que não afeta apenas a qualidade de vida do paciente como também aumenta a mortalidade e prolonga a duração e gastos com reabilitação e hospitalização.
Os tratamentos para a disfagia pós AVC
Várias intervenções, como a miotomia do músculo cricofaríngeo, a injeção da toxina botulínica, o balão de dilatação por cateter e tratamentos convencionais da disfagia, têm sido recomendadas para pacientes com disfagia pós AVC de tronco, abordagens estas que visam o sistema nervoso periférico.
Entretanto, a TDCS, técnica não-invasiva de estimulação cerebral (NIBS), tem mostrado evidências crescentes na remodelação das conexões cerebrais para melhorar as funções motoras, cognitivas e de fala. Nos últimos anos, alguns estudos têm mostrado que a estimulação através do centro cortical da deglutição pode melhorar a função de deglutir sobretudo quando as lesões ocorrem a nível de córtex cerebral. Mas o efeito desta estratégia permanece desconhecido na reabilitação da disfagia em pacientes com AVC de tronco.
No estudo em questão, a terapia com TDCS foi aplicada em pacientes disfágicos vítimas de AVC de tronco encefálico, associada à reabilitação convencional de deglutição, para observar os efeitos dessa técnica neste público a fim de identificar um programa de tratamento mais eficaz e seguro para reabilitação da disfagia pós AVC de tronco.
O público-alvo estudado
Portanto, quarenta pacientes foram aleatoriamente alocados ao grupo TDCS ou ao grupo de controle, com 20 pacientes em cada grupo, por uma lista aleatoriamente gerada por computador. Além disso, todos os inscritos souberam dos critérios de inclusão citados no artigo original. Assim, todas as avaliações em ambos os grupos foram realizadas por um determinado terapeuta, o qual não tratou esses pacientes matriculados e também foi cegado para a alocação do tratamento. Esses pacientes não participaram de nenhum estudo antes do início do estudo dito aqui. Desse modo, o diagrama do fluxo de inscrição é ilustrado na figura abaixo:
Fluxograma de inscrição para o estudo da pesquisa
Critério de inclusão
(1) O AV(1) O AVC foi diagnosticado de acordo com a definição da Organização Mundial da Saúde (OMS), com a localização na medula oblonga confirmada por tomografia computadorizada (CT) ou imagens de ressonância magnética (MRI), e apresentação dos sintomas: engasgo com água, disfagia e rouquidão; (2) Idades de 50 a 80 anos; (3) O curso da doença de 2 a 12 meses; (4) A pontuação NIHSS de 2 a 9; (5) Sem apresentar prejuízo cognitivo, boa adesão; (6) Por fim, com assinatura de consentimento informada; estes pacientes puderam tolerar o tratamento estudado.
Critério de exclusão
(1) O local do AVC não foi localizado no tronco cerebral; (2) Outras doenças do sistema nervoso causaram os distúrbios da deglutição; (3) A radioterapia da cabeça e pescoço causaram os distúrbios da deglutição; (4) Apresentação de condições críticas, tais como falência de órgãos ou inconsciência; (5) Por fim, disfagia devida à prévia disfunção neurológica.
Procedimentos experimentais
O GACT recebeu o tratamento convencional de reabilitação da deglutição. Além disso, o grupo TDCS associou a terapia convencional de deglutição com o tratamento TDCS. Assim, observe a próxima figura:
O grupo TDCS coopera com o tratamento com TDCS baseado no treinamento de rotina; a cotonete gelado estimula boca e faringe; b extensão do músculo da língua; c treinamento respiratório; d estimulação elétrica faríngea; e tratamento de expansão do balão de deglutição; f tratamento com TDCS
Rotina de tratamento da reabilitação da deglutição
(a) Treinamento sensório motor de orbicular de lábios e língua, tais como o vedamento labial, a abertura da boca, a sucção e a protrusão da língua. Foi usado cotonete gelado para estimular a parede faríngea posterior e a mucosa do palato mole; desse modo foi feito com duração de 60 minutos, uma vez ao dia, 6 dias por semana, num total de 8 semanas.
(b) Treinamento respiratório: foi ensinado aos pacientes ter a respiração abdominal, exalar o ar lentamente com um incentivador respiratório, e estratégias de proteção nas vias aéreas; assim foi uma vez ao dia, 6 dias por semana, num total de 8 semanas.
(c) Estimulação elétrica laríngea externa: o instrumento de estimulação elétrica VitalStim foi usado para o tratamento, e, na superfície do corpo, eletrodos foram colocados na pele da faringe; assim, uma vez ao dia, 6 dias por semana, num total de 8 semanas.
(d) O balão de dilatação: foi usado o cateter N. 12 inserido através da boca por dentro do esôfago, injetado lentamente 2-8 mL de soro frio dentro do balão até que o paciente sentisse preso, e então instruiu-se o paciente a engolir enquanto se puxa o cateter para fora gentilmente; uma vez sentindo que a resistência do balão passou pelo músculo cricofaríngeo, foram tirados rapidamente o soro no cateter do balão. Desse modo, 8 vezes ao dia, 6 dias por semana, num total de 8 semanas.
Protocolo de tratamento com TDCS
O tratamento com TDCS foi entregue por um estimulador de corrente constante (IS200, Sichuan Intelligent Electronics Industry Co., Ltd) através de dois eletrodos embebidos em solução salina. O eletrodo anódico com o tamanho de 4,5cm*6,0cm foi colocado sobre a área do córtex sensório-motor da deglutição no hemisfério não lesionado, no meio de C3 e T3 de acordo com o sistema internacional de eletrodos 10-20 EEG, e o eletrodo catódico com o tamanho de 7cm*10,0cm foi colocado no ombro oposto. A corrente foi de 1,6 mA, 20 min de cada vez, uma vez por dia, 6 dias por semana, totalizando 8 semanas.
Sistema internacional 10-20 de colocação de eletrodos
Medição de resultados
Dysphagia Outcome and Severity Scale – A Escala DOSS
A escala DOSS é a escala de comprometimento da função da deglutição que foi dividida em 7 níveis de acordo com o grau do dano. Assim, uma pontuação de 6 e 7 representam deglutição normal, a de 5 representa disfagia leve, e uma pontuação de 2 a 4 representa disfagia moderada, e uma pontuação de 1 representa uma disfagia severa. Além disso, a pontuação foi avaliada tomando o estudo da videofluoroscopia da deglutição. Desse modo, a pontuação mudou para 5 e 6 depois do tratamento, e os autores da pesquisa definiram isso como efetivo.
Então, todas as imagens de VFSS foram revisadas por um radiologista experiente, Zhengguang Xiao, baseadas na escala FDS. Além disso, o radiologista foi cegado para as informações clínicas.
Indicadores nutricionais
A hemoglobina (Hb), albumina (Alb) e pré-albumina (PAB) foram determinadas.
Indicadores de infecção
Além disso, o glóbulo branco (WBC) e a proteína C-reativa (PCR) foram determinados.
Análises estatísticas da pesquisa
Então, todos os dados foram analisados pelo software SPSS 22.0 (IBM, Inc.). Desse modo, os resultados de FDS, PAB, Alb, Hb, WBC e PCR antes e depois do tratamento entre os dois grupos foram comparados por um teste-t de uma amostra independente e teste-t emparelhado dentro de cada grupo. Além disso, os resultados da DOSS foram comparados pelo teste do qui-quadrado. Assim, estatísticas significativas foram determinadas quando P<0.005.
Comparação do antes e depois do tratamento
Após cada grupo receber 8 semanas consecutivas de tratamento, os resultados foram os seguintes:
No grupo TDCS
Para a avaliação da função da deglutição, a pontuação FDS antes de depois do tratamento foi de 75.4±12.4 e 45.2±18.8 (P<0.001), que foi aumentada comparada com o antes do tratamento.
Desse modo, a avaliação efetiva da DOSS foi de 45%. Além disso, dos termos do indicador nutricional, a Alb foi de 35.5±1.0 antes do tratamento a 52.9±3.0 depois do tratamento (P<0.001), e a Hb foi de 113.6±1.7 antes do tratamento a 148.4±0.6 depois do tratamento (P<0.001), todos esses índices foram melhorados comparados com o antes do tratamento; assim, as PAB foram de 213.3±18.6 antes do tratamento a 254.3±21.3 depois do tratamento (P=0.155), não mostrando nenhuma diferença significativa comparada com o antes do tratamento.
Dos termos de indicadores de infecção, os glóbulos brancos foram de 11.3±11.6 antes do tratamento a 3.9±3.1 depois do tratamento (P=0.002). Além disso, as PCR foram de 30.9±9.9 antes do tratamento a 5.5 depois do tratamento (P=0.0152), ambos os quais foram melhores que os de antes do tratamento. Portanto, veja a tabela abaixo:
Tabela 2: Informações clínicas da linha de base dos participantes antes e depois do tratamento (FDS)
No grupo abrangente convencional
Para a avaliação da função da deglutição, o FDS antes e depois do tratamento foram de 75.3±12.5 a 56.8±13.8 (P<0.001), o que foi melhorado comparado com o antes do tratamento. Além disso, a taxa efetiva de DOSS foi de 10%. Então veja a tabela abaixo:
Tabela 3: Informações clínicas dos participantes depois do tratamento (DOSS)
Nos termos dos indicadores nutricionais, a ALB estava em 35.6±2.1 antes do tratamento, 44.8±0.9 depois do tratamento (P=0.004), 112.5±1.9 antes do tratamento, e 129.3±2.2 depois do tratamento. Além disso, não houve nenhuma diferença significativa entre PAB antes do tratamento e 234±18.4 (P=0.064) depois do tratamento. Desse modo, depois do tratamento, era 5.9±3.2 (P=0.005), a PCR era 32.9±7.7 antes do tratamento, e a PCR estava 10.1±1.8 depois do tratamento (P=0.007). Assim, veja a tabela abaixo:
Tabela 4: Informações clínicas dos participantes antes e depois do tratamento (WBC, PCR)
Comparação entre os dois grupos depois do tratamento
Nos termos da função da deglutição, a FDS foi de 46.2±18.8 e 56.8±13.8 (P=0.0173). A taxa efetiva de DOSS foi de 45% e 10% (P=0.0132, X^2=6.144). Além disso, nos termos dos índices de nutrição, a ALB foi de 52.9±3.0 e 44.8±0.9 (P= 0.035), respectivamente. Portanto, o grupo TDCS foi superior ao GACT, e PAB foram 254.3±21.3 e 234.0±18.4 (P=0.474), respectivamente. Desse modo, nos termos de indicadores de infecção, os WBC do sangue foram 3.9±3.1 e 5.9±3.2 (P=0.018), e PCR foram 5.5±0.9 e 10.1±1.8 (P=0.031), respectivamente. Assim, o grupo TDCS foi superior ao GACT. Então, veja a tabela abaixo:
Tabela 5: Informações clínicas antes e depois do tratamento (pré-albumina, albumina, hemoglobina)
Discussãoda pesquisa para o tratamento para disfagia pós AVC
As lesões de tronco encefálico com frequência levam a distúrbios de deglutição, sobretudo quando caracterizadas paralisia bulbar, com incidência de 51-100% sendo seu prognóstico reservado e tempo de reabilitação consideravelmente maior.
Estudos relacionados ao tratamento da disfagia pós AVC
Assim, as principais características do distúrbio de deglutição observadas correspondem a alterações de fase faríngea: trânsito faríngeo aumentado, resíduos alimentares na epiglote e seios piriformes, elevação anormal da laringe, alteração na abertura de cricofaríngeo. Desse modo, isso comprometerá tanto a efetividade quanto a segurança da deglutição, aumentando o risco da aspiração, pneumonia aspirativa, asfixia e desnutrição – sendo a má nutrição comumente observada em casos pós AVC. Por isso, este estudo retratado aqui teve como objetivo descrever o aumento da desnutrição em pacientes com AVC após o tratamento convencional.
Entretanto, nos últimos anos, técnicas de estimulação não-invasivas do cérebro, tais como as TDCS, tem sido cada vez mais utilizadas para promover a função cerebral por neurotransmissores, deste modo, fazendo novas sinapses e fortalecendo as conexões cerebrais.
O estudo dito aqui combinou, então, a estimulação cerebral com o treinamento convencional da deglutição. Assim, foi aplicada a TDCS ao córtex sensoriomotor contralateral dos pacientes e foi descoberto que o grupo TDCS melhorou mais a pontuação de DOSS e FDS do que o grupo de controle. Além disso, também foi descoberto que o tratamento com TDCS foi melhor que no grupo de controle em Alb, Hb, WBC e PCR, indicando que o tratamento melhorou a habilidade de deglutição com retorno da alimentação oral, melhorando o aspecto nutricional e também reduzindo incidência de infecções respiratórias. Então, pode-se ver que isso pode estimular e ativar o centro subcortical de deglutição pelo TDCS.
A fisiologia da deglutição
O centro subcortical de deglutição é principalmente conectado com o córtex sensoriomotor primário, o córtex pré-motor, a ínsula, o giro cingulado anterior, o gânglio basal (ou núcleo basal) e outras partes, e as fibras nervosas subcorticais. Além disso, também foi descoberto que o tratamento com o balão na deglutição pode induzir o reflexo da deglutição ao reproduzir a dilatação do músculo faríngeo. Pode-se, então, pensar que o tratamento do balão na deglutição pode aumentar a amplitude do movimento do músculo cricofaríngeo e melhorar o relaxamento do esfíncter esofágico superior. A deglutição é um processo sensório motor complexo e esses eventos são então controlados pelo sistema nervoso periférico (SNP) e o sistema nervoso central (SNC).
A deglutição ocorre pela associação do córtex e regiões subcorticais, do tronco cerebral e estruturas periféricas. Assim, a estratégia motora básica para a deglutição é gerada pelo tronco encefálico. Desse modo, fibras aferentes do SNP transmitem informações sensoriais da cavidade oral, laringe e faringe ao núcleo do trato solitário (NTS), na medula. Além disso, o NTS recebe informação visceral sensorial do nervo trigêmeo (V par) na ponte. Portanto, o aumento da entrada sensorial para a laringe ativa a via de deglutição cortical-tronco cerebral, que acelera o início da deglutição e, consequentemente, reduz a aspiração.
A deglutição é iniciada pelos centros bilaterais do cérebro. Assim, os tratos corticobulbares descem bilateralmente para a ponte e a medula com centros bilaterais que controlam os músculos da deglutição.
Considerações sobre o estudo da terapia VitalStim para os pacientes inscritos
Na estimulação do hemisfério cerebral lesionado, existe a possibilidade de epilepsia secundária; então, por razões de segurança, foi escolhido o hemisfério contralateral para se estimular. Os resultados mostraram que melhorar a excitabilidade das áreas responsáveis pela deglutição do lado não lesionado pode melhorar a função de deglutir em pacientes bem como melhorar aspectos da nutrição neste paciente, sem consequências adversas.
Quando déficits neurológicos melhoram, a nutrição dos pacientes também melhora. Portanto, o resultado é consistente com os achados de pesquisas anteriores de alguns estudiosos: que a estimulação por TDCS no lado não lesionado associada a uma rotina de treinamento de reabilitação da deglutição pode melhorar a disfagia em pacientes acometidos por AVC.
Entretanto, esse estudo é limitado na falta de um grupo controle e um instrumento para avaliação quantitativa. Por isso, em estudos futuros, devem-se acrescentar um grupo controle e a análise de ressonância magnética funcional para avaliar de forma mais objetiva a evolução da função da deglutição.
BOTELHO, T. de S.; NETO, C. D. M.; ARAÚJO, F. L. C. de; ASSIS, S. C. de. Epidemiologia do acidente vascular cerebral no Brasil. Temas em saúde, 2016. Disponível em: <https://temasemsaude.com/wp-content/uploads/2016/08/16221.pdf>. Acesso em: 10, fevereiro 2022.